sábado, 2 de fevereiro de 2013

Meu coração


Não sou de todos...
Gosto muito do meu mundinho...
Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas.
As vezes tem um céu azul...outras tem tempestades.
Lá dentro cabem todos os sonhos..
de todos os tamanhos.
Mas não cabe muita gente.
Todas as pessoas que estão dentro dele...
não estão por acaso...
são necessárias.

Nunca envelhecerás



A tua cabeleira
é já grisalha ou mesmo branca?
Para mim é toda loira
e circundada de estrelas.
Sobre ela
o tempo não poisou
o inverno dos anos
que se escoam maldosos
insinuando rugas, fios brancos...

Ao teu corpo colou-se
o vestido de seda,
como segunda pele;
entre os seios pequenos
viceja perene
um raminho de cravos...

Pétalas esguias
emolduram-te os dedos...
E revoadas de aves
traçam ao teu redor
volutas de primavera.

Nunca envelhecerás na minha lembrança!...

Saul Dias

Não espere...



Não espere um sorriso para ser gentil;

Não espere ser amado para amar;

Não espere ficar sozinho para reconhecer o valor de quem está ao seu lado;

Não espere ficar de luto para reconhecer quem hoje é importante em sua vida;

Não espere o melhor emprego para começar a trabalhar;

Não espere a queda para lembrar-se do conselho;

Não espere…

Não espere a enfermidade para perceber o quanto é frágil a vida;

Não espere pessoas perfeitas para então se apaixonar;

Não espere a mágoa para pedir perdão;

Não espere a separação para buscar reconciliação;

Não espere a dor para acreditar em oração;

Não espere elogios para acreditar em si mesmo;

Não espere…

Não espere que o outro tome a iniciativa se você foi o culpado;

Não espere o eu te amo,para dizer eu também;

Não espere o dia da sua morte para começar a amar a vida;

E então,o que você está esperando?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Quando estás vestida


Quando estás vestida,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.

Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.

Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite

(Manuel Bandeira)

Chave


Entre sem bater.
A chave esta na porta.
Entre...
Invada este coração,
penetre seus labirintos,
desvende seus segredos...
amenize seus medos.
Entre...
Ocupe os espaços vazios,
abra todas as janelas...
para a felicidade.
Mas se não puder ficar...
saia de mansinho...
sem machucar...
e deixe a chave,
no mesmo lugar.

O cântico da terra


Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

Cora Coralina

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Poemas


Na véspera de não partir nunca
Ao menos não há que arrumar malas
Nem que fazer planos em papel,
Com acompanhamento involuntário de esquecimentos,
Para o partir ainda livre do dia seguinte.
Não há que fazer nada
Na véspera de não partir nunca.
Grande sossego de já não haver sequer de que ter sossego!
Grande tranquilidade a que nem sabe escolher ombros
Por tudo isto, ter pensado o tudo
É o ter chegado deliberado a nada.
Grande alegria de não ter precisão de ser alegre.
Como uma oportunidade virada do avesso.
Há quantas vezes vivo
A vida vegetativa do pensamento!
Todos os dias sine linea
Sossego, sim, sossego...
Grande tranquilidade...
Que repouso, depois de tantas viagens, físicas e psíquicas!
Que prazer olhar para as malas fitando como para nada!
Dormita, alma, dormita!
Aproveita, dormita!
Dormita!
É pouco o tempo que tens! Dormita!
É a véspera de não partir nunca.


Alvaro Campos